sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sobre o ERA

O que é o teste ERA e como ele aumenta as chances da FIV?

Estou com o pensamento positivo, mas caso não seja dessa vez o sucesso do tratamento, farei o ERA.

A implantação do embrião e consequente o desenvolvimento da gravidez depende basicamente da interação do embrião com o endométrio. Para que a gravidez ocorra, o embrião deve ter uma boa qualidade e capacidade de implantar e o endométrio deve estar receptivo. Porém, em muitas situações, o embrião de excelente qualidade não se implanta no endométrio que aparentemente estava em boas condições, como sua espessura (de 7 mm a 14 mm) e aspecto visualizado ao ultrassom.

Em uma gestação espontânea, o óvulo é fertilizado pelo espermatozoide na parte distal da trompa e o embrião gerado é transportado para o útero pelos movimentos realizados pela trompa e chega para se implantar no endométrio após 5 dias da fecundação, quando está em estágio de blastocisto. Nesse intervalo, o ovário produz o hormônio progesterona que irá transformar o endométrio para se tornar receptivo ao embrião. E o tempo que o embrião consegue se implantar no endométrio é chamado de “janela de implantação” e dura cerca de 24h a no máximo 48h. Caso o embrião chegue antes ou depois dessa “janela”, a implantação não ocorre.

FIV

Durante a fertilização in vitro, simulamos o ciclo menstrual da mulher e a transferência do embrião ocorre nessa janela de implantação, ou seja, o embrião transferido deve coincidir com os dias de uso da progesterona. O endométrio está sob efeito da progesterona por 3 dias para receber o embrião em D3 e 5 dias para receber o embrião em D5 (blastocisto). Porém, algumas pacientes têm um descolamento da janela de implantação e quando os embriões são colocados no que teoricamente seria a janela de implantação correta, ocorre a falha de implantação.
Com o avanço da medicina foi desenvolvido um teste de avaliação endometrial, que tem como finalidade identificar essa “janela de implantação”. O exame ERA – Endometrial receptivity Array- é um teste com intuito de analisar de forma mais eficaz a receptividade do endométrio e que pode revolucionar as taxas de sucesso nos tratamentos de fertilização in vitro .

O teste ERA – Endometrial Receptivity Array – avalia se o endométrio está ou não receptivo, determinando o dia ideal para transferir o embrião ao útero. Normalmente essa data é entre os dias 18 a 21 do ciclo menstrual, sendo o 5º ao 7º dias após a ovulação, denominado esse período de janela de implantação. O teste é capaz de analisar mais de 238 genes que são relacionados com o estado de receptividade endometrial do ponto de vista molecular. A ferramenta utilizada no exame apresenta alta sensibilidade e precisão.

De acordo com os resultados do teste ERA os procedimentos seguem de diferentes formas:

Receptivo: simboliza que a janela de implantação está de acordo com o dia que foi realizado a biópsia e por isso o embrião pode ser implantando no útero durante este período, sem que nada seja modificado.    

Não receptivo: significa que a janela de implantação é deslocada e identifica se o endométrio é pré ou pós-receptivo. Neste caso é indicada uma personalização da janela de implantação, por meio de um novo exame, que indicará o melhor dia para a transferência. Quando o resultado é pré-receptivo, indica que será necessário o uso da progesterona por mais dias para que ocorra a janela de implantação. Ou seja, a transferência do blastocisto com 5 dias de progesterona não encontra o endométrio receptivo, necessitando de 6 ou até mais dias de progesterona.       
O ERA vai sugerir quantos dias deverá ser necessário de progesterona para o endométrio se tornar receptivo e então um novo exame deve ser feito. Caso o resultado seja pós-receptivo, indica que a transferência de embrião deve ser realizada com menos dias de progesterona.
O teste ERA é uma avaliação molecular personalizada com base na expressão dos genes que determina se o endométrio é receptivo na janela de implantação ou não.

O estudo que foi publicado em 2011 para avaliar a eficácia do método mostrou que 76% das mulheres com falhas prévias de implantação apresentavam a janela de implantação normal. Cerca de 18% das pacientes apresentavam um endométrio pré-receptivo e 6% pós-receptivo. Das pacientes com resultado não-receptivo, quase 90% tiveram um resultado receptivo após a segunda biópsia.

Esse teste identifica o momento ideal da transferência embrionária para cada paciente, aumentando consideravelmente a taxa de implantação.

Como é realizado o exame ERA?
O exame é simples e pode ser feito de duas formas:

Com preparo endometrial
O exame com medicamento é mais prático e fácil, pois permite o controle mais preciso da data correta para a biópsia do endométrio.
Após o início do ciclo menstrual é iniciado o uso do hormônio estradiol  que pode atua sobre o endométrio, espessando-o adequadamente. Ele pode ser aplicado via oral ou transdérmica (adesivo ou gel).        
Depois de cerca de 10 dias é realizada a ultrassonografia transvaginal, que medirá a espessura endometrial. Se estiver acima de 7 mm e trilaminar (composto de três camadas germinativas), deve-se iniciar a progesterona natural por via vaginal. Após completar 5 dias (P+5) com o uso de estradiol + progesterona natural é feita a biópsia endometrial que pode ser realizada no próprio consultório ou sob sedação.        

Natural
Esse método é realizado durante o ciclo menstrual com ovulação espontânea, sem indução e hormônios para preparar o endométrio. Como é uma prática natural, o dia da biópsia dependerá muito do dia da ovulação, podendo ocorrer a qualquer dia.     
A biópsia sem medicamento deve ser realizada 7 dias após o pico do LH (hormônio responsável pela ovulação). Para identificá-lo a paciente deverá realizar um exame de sangue ou urina para identificar o dia do pico de LH.

Como é realizada a biópsia?
A biópsia endometrial é realizada no dia que supostamente a paciente receberia o embrião, sendo no ciclo natural ou no ciclo estimulado. Porém, em vez de realizar a transferência embrionária, é realizada a biópsia do endométrio. Durante o exame é introduzido dentro do útero um cateter flexível (Pipelle de Cornie) que tem como finalidade recolher um material expressivo do endométrio. Após recolhê-lo é necessário colocá-lo dentro de um recipiente e agitar vigorosamente por dez segundos. O procedimento todo dura em média 15 minutos.

A amostra do fragmento deve ser armazenada e enviada à IGENOMIX (empresa responsável pelo desenvolvimento do exame ERA). O resultado fica pronto em torno de 15 dias após o recebimento do material.      
O procedimento é simples e causa pequenos desconfortos.

Exame ERA

Como se calcula o dia da biópsia depois de um resultado não-receptivo?

Com reposição hormonal          
Após iniciar o ciclo com o medicamento, devem-se contar dois dias depois da biópsia anterior. Ou seja, sete dias completos de utilização da progesterona para a realização da biópsia. Se o dia que iniciou o tratamento for P+0, a biópsia deve se realizada no dia P+7. Se o dia inicial é denominado P+1, o dia da biópsia será P+8.  

Ciclo natural          
Ao identificar o dia do pico de LH é determinado como LH+0, e devem-se contar dois dias depois, até o LH+9 para a realização da biópsia.  
Se determinado pelo ultrassom o dia da ovulação, é denominado como Ov+0 e deve-se também contar dois dias a mais até o Ov+8, para a realização da biópsia.

Para quem é indicado o exame ERA?
Ainda está sendo realizados outros estudos para avaliar se o teste é aplicável a todas as pacientes submetidas a Fertilização In Vitro. No entanto, atualmente é indicado para:

Pacientes que apresentaram pelo menos 2 ou mais falhas de implantações de embriões de boa qualidade;
Endométrio normal ao ultrasom;   
Teste ERA

ERA x outros exames
O método utilizado nos outros exames são procedimentos clássicos que são baseados em fatores histológicos, não possuindo um alto grau de subjetividade e consequentemente não dando a precisão necessária do exame.

Por outro lado o teste ERA demonstrou mais precisão em seus resultados, devido ao sistema computadorizado que analisa 238 genes envolvidos na receptividade do endométrio. Essa análise permite que antes de iniciar um tratamento de reprodução assistida, seja detectado se há ou não necessidade de personalizar a janela de implantação, permitindo assim maior êxito no processo. Além disso, o sistema computadorizado tem uma alta sensibilidade (99,7%) e especificidade (88,5%), ampliando o sucesso do tratamento.

Vale lembrar que o a transferência de embriões deve ser realizada com embriões congelados ou embriões a fresco para pacientes receptoras. O ERA não tem validade para ciclos estimulados de fertilização in vitro.

Fonte: www.materprime.com.br

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